Abramos as escrituras e então lembremos daquele homem, que tendo terminado o seu trabalho e trazido todo o seu rebanho para sua casa quando ainda havia alguma claridade, surprendeu-se: "Oh! Não estão todas aqui. Eu preciso voltar. Onde será que ela ficou?"
Lembremo-nos que ele fechou todas as que já tinha trazido, e deixando-as em segurança, caminhou apressado debaixo de alguma luz que ainda existia.
Oh! Não está nos campos. Procurou então nos banhados e lá também ela não estava. A cada passo aumentava a agonia no seu coração, pois sabia que muito breve as trevas tomariam conta da terra e os predadores estariam à solta.
Onde ela estaria? Restava ainda olhar nas montanhas e por elas subiu. Na pressa feriu-se e na agonia e na penumbra nem tinha tempo de olhar com cuidado onde pisava. As trevas se abatiam rapidamente e não havia mais como enxergar. O que fazer? Ah! Havia ainda um último e derradeiro recurso: Parou, abafou até as vozes do próprio coração e apurou seus ouvidos virando-os cuidadosamente em todas as direções. Então ouviu a voz de lamento, o grito que parecia dizer: Socorre-me, socorre-me. O lamento apontou ao seu coração a localização e ele descobriu de onde vinha a voz: Do fundo do precipício.
Chegaria a tempo?
Correu orientado pelos ouvidos e não pelos olhos, desceu a escarpa e lá estava ela caída e machucada no fundo do buraco, entretanto quando a colocou em seus braços, deu por compensado todo o esforço e todo os ferimentos que recebera. Voltou para casa alegre, pois ela tinha se perdido, mas foi achada.
Entendemos as escrituras? Seria necessária uma explicação? Assim como aquele homem naquela circunstância trocou o sentido da visão pelo da audição, troquemos os olhos da mente pelos do coração. Deixemos um pouco de lado agora o entendimento, a letra, e usemos o sentimento. Voltemos à paixão pelos perdidos.
As trevas espirituais se abateram sobre a terra e é muito, mas muito pequena a claridade que ainda resta. Em alguns lugares trevas espessas se abateram e não há mais luz alguma, todavia a voz de lamento não cessou. Apura o teu ouvido e verás que tenho razão. Verás que ela vem de todas as direções. São muitos os feridos de alma e os machucados de coração.
Socorre-me, socorre-me. Esses são gritos que o Pai escuta. Então, se apurarmos um pouco mais os nossos ouvidos, veremos que há também uma outra voz soando, suave e amorosa: Quem há de ir por Mim a socorrer?
Autor: Pr. Sinval.
Fonte:
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